Artes Marciais
De Aikipedia
ARTE = Perfeição, esmero técnico na elaboração (p.opos. à espontaneidade natural); requinte. O conjunto dos princípios e técnicas característicos de um ofício ou profissão.
MARCIAL = Que diz respeito à guerra; bélico, belicoso. Que se refere a militares ou a guerreiros.
O corpo pode ser concebido como uma máquina complexa, dotada dos seus rolamentos, tirantes, cordas e polias; e, à semelhança de qualquer máquina, e ele pode quebrar se for forçado a trabalhar contra a sua natureza.
A arte da luta está em usar esse complexo mecanismo contra si mesmo. Golpeando-se músculos e vervos, o sitema de força fica danificado; os ossos podems ser travados de modo a impedir os movimentos; e o equilíbrio de todo o sistema pode ser destruíde de modo que a estrutura inteira venha abaixo.
Este é um processo de pensamento que deve ter começado quando o primeiro homem passou deliberadamente uma rasteira em outro evoluiu e transformou-se numa poderosa combinação de disciplinas intelectuais e físicas.
Os ingredientes que compõem uma arte marcial foram misturados, um por um, desde antes dos inícios da civilizações. O básico: chutar, dar rasteira, arranhar, morder, puxar o cabelo, bater com a mão aberta, enfiar o dedo nos olhos, empurrar e puxar são movimentos naturalmente usados pelas crianças ao brincar. Certas técnica mais sofisticadas, como a do soco, têm de ser aprendidas. As chaves, lançamentos e técinicas de ataque e defesa empregados pelos artistas marciais são dotados de uma complexidade de ordem competamente diferente.
As artes marciais não foram criadas para garantir a defesa de soldados que tuam em campos de batalha; também não são esportes. O combate que os artistas marciais praticam não tem restrições, a menos que seja praticado como um esporte de luta. As artes marciais tem comente um objetivo: neutralizar o mais rápido possível os ataques, empregando para isso todos os meios necessários.
Alguns mestres tradicionais opõem-se a que as artes marciais sejam transformadas em esportes. O ataque que não pode ser conduzido até o fim, mas tem de ser contido, será desencadeado a cada vez com menos convicção, e assim ficará enfraquecido. É por isso que, na maioria das artes, há tão pouco treinamento de luta propriamente dita durante as sessões de treinamento. Séries planejadas de movimentos podem ser praticadas entre parceiros, mas a verdadeira arte é tão imprevisível e perigosa que não pode ser praticada, nem sequer com armaduras.
Quando e onde surgiram as artes marciais?
Desde as épocas mais antigas temos registros de lutas a dois. A história de Davi, que matou Golias com uma pedra atirada por uma funda, é uma das descrições mais detalhadas de um “acontemento marcial” ocorrido na antiguidade. Com a sua arma de pastor, Davi foi capaz de obter uma precisão comparável à de um samurai quando dá um golpe com a espada. Só a prática constante pode proporcionar a atitude e a concentração necessárias para tal economia de esforço e precisão de mira.
Um dos enigmas com que se defronta o estudioso que busca identificar-lhes as origens é o de que elas encontram-se disseminadas por todo o Oriente. Pode ser que o testemunho mais antigo da existência das artes marciais, a ser levado em conta com muito cuidado, nos seja dado por duas pequenas peças babilônicas datadas de entre 3.000 e 2.000 A.C. Ambas são representações de dois homens a lutar. O braço de um deles está na característica posição de bloqueio que é tão fundamentes nas artes marciais modernas. A outra peça consiste numa estatueta de dois homens lutando, cada um dos quais segura o cinto do outro. Trata-se de uma forma rara de luta de agarrar, desconhecida no Ocidente mas muito famosa na luta japonesa chamada sumô.
Um estudo da história das artes marciais não pode ser mais do que um conjunto de especulações baseadas num pequeno número de fatos conhecidos. Os mestres de antigamente não revelavam seus conheceimentos com facilidade. O privilégio de conhecer as técnicas e a sabedoria que eles acumulavam no decorrer de anos de dedicaçõ só era concedido a uns poucos. São abundantes as histórias de jovens que aguardavam anos e anos pela honra de poder entrar no campo de prática e que, depois de entrar, eram proibidos de partilhar com os “de fora” o conhecimento adquirido com o treinamento.
Em muitas escolas, a prática era secreta e a própria existência da escola era ocultada das autoridades. As tradições de luta não eram registradas por escrito, mas transmitidos oralmente, e somente aos que juravam guardadr segredo. Essa tradição de segredo torna excepcionament difícil a pesquisa sobre o desenvolvimento das artes marciais. Quando as artes marciais chegaram ao Oriente, lá lançaram raízes e começaram o gradual processo de diversificação que gerou seus vários ramos, todos eles perfeitamente desenvolvidos.
Infelizmente, no que diz respeito ao primeiro crescimento e à disseminação das artes marciais, a esmagadora maioria dos indícios de que dispomos é de mitos, especulações e histórias transmitidas oralmente. Não obstante, certos fragmentos de informação, tirados das antigas tradições artísticas e literárias da China e da Índia, dão a a entender que as artes marciais começaram a desenvolver-se nesses civilizações em algum momento entre o século V A.C., quando começou a manufatura de espadas em grande quantidade na China, e o século III d.C., em que os exercícios nos quais baseiam-se as artes marciais foram escritos pela primeira vez.
É exíguo o número de documentos ou objetos que se referem aos primórdios das artes marciais, mas muitos artistas marciais acham que sua arte começou na China, no começo do século VI d.C.
A crença deles baseia-se numa lenda segundo a qual um monge indiano chamdo Bodhidharma chegou certo dia ao templo e mosteiro de Songshan Shaolin, ao pé das Montanhas Songshan, no Reino de Wei, na China, onde passou a ensinar um tipo novo e mais direto de Budismo, que envolvia longo períodos de meditação estática. Diz-se que Bodhidharma passou nove anos sentado de prente para a parede de uma caverna, e instuiu os outros monges a fazer a mesma coisa.
Para ajudá-los a aguentar as longas horas de meditação, ensinou-lhes técnicas de respiração e exercícios para desenvolver-lhes a força e a capacidade de defender-se na remota e montanhosa região onde residiam. Acredita-se que foi dos ensinamentos de Bodhidharma que nasceu a escola dhyana ou meditativa do Budismo, chamada Ch´an pelos chineses e Zen pelos japoneses. Diz-se ainda que a arte marcial conhecida como Shaolin Ch´uanfa, ou boxe do Templo de Shaolin, desenvolveu-se a partir dos exercícios transmitidos pelo monge indiano. Muitas artes marciais chinesas e japonesas nasceram dessa tradição.
Não obstante, o estudo cuidadoso das fontes históricas mostra que as artes marciais já existiam e floresciam na Índia e na China desde muito tempo antes da viagem de Bodhdharma.
O aikido, criado por Morihei Ueshiba no século XX, é considerado uma arte marcial (japonesa) moderna.
Fonte:
O Caminho do Guerreiro - O paradoxo das artes marciais - Howard Reid e Michael Choucher - EditoraCultrix


